Demência Precoce

Neste capítulo encontrará informações sobre a Demência de Início Precoce,

em particular no que respeita aos sintomas, causas, manifestações e consequências  na vida diária.

Professor Alexandre de Mendonça

Que é a Demência de Início Precoce?

No próximo vídeo poderá ouvir Robert que presta cuidados à sua mulher, Mary. À medida que vê o vídeo, atente nos sintomas que o Robert menciona.

No próximo exemplo, Barbara contará a história do seu marido Hans que nos revela um tipo diferente de Demência de Início Precoce. Ficará claro que os sintomas da Demência de Início Precoce podem manifestar-se de várias formas.

Sintomas da Demências

Nos exemplos previamente apresentados teve a oportunidade de conhecer os sintomas da Demência de Início Precoce. Na próxima secção, a psicóloga clínica apresentará informação médica básica sobre as diferentes formas de demência e os respectivos sintomas.

Funções Cognitivas

As perturbações do funcionamento cognitivo podem envolver diferentes funções, incluindo a memória, a atenção, a linguagem, a cognição social, o raciocínio e o funcionamento executivo, a orientação temporal e espacial, as funções visuo-espaciais e a manipulação e utilização de objectos.

Consegue rever-se na descrição que o Robert faz de como a sua mulher começou a revelar dificuldades em expressar-se e a apresentar lapsos de memória? Quais as funções em que a pessoa de quem cuida apresenta dificuldades?

 

Seleccione por favor um dos temas apresentados abaixo.

O défice de memória é um sintoma-chave da demência na Doença de Alzheimer. A memória a curto-prazo encontra-se geralmente afectada. Esta alteração reduz a capacidade para armazenar e recuperar novas informações. Isto torna-se evidente através dos esquecimentos, das perguntas repetitivas, da colocação de objectos em sítios inadequados, do facto de se perder o fio condutor do discurso e de depender cada vez mais de lembretes ou de outras pessoas. As memórias de acontecimentos remotos, como aqueles que se passaram na infância, estão geralmente melhor preservadas.

É frequente a linguagem estar comprometida ao nível da compreensão e expressão, bem como da capacidade para ler e escrever. Na Doença de Alzheimer, as pessoas podem ter dificuldades em compreender frases longas e complexas e em seguir uma conversa. As pessoas com esta doença podem revelar alterações na capacidade para encontrar as palavras certas enquanto falam, o que causa hesitações no discurso ou substituição de vocábulos por termos alternativos que poderão não ser os mais adequados.

Poderão surgir erros gramaticais e na construção frásica e a pessoa poderá trocar as sílabas das palavras de uma forma invulgar (erros fonémicos). Com o passar do tempo, vai perdendo a capacidade de ler (alexia) ou escrever (agrafia). Por fim, em fases mais avançadas, o discurso pode tornar-se incompreensível.

A Degenerescência Lobar Frontotemporal pode estar associada a duas formas distintas de perturbação da linguagem. Uma das formas está relacionada com a perda do significado das palavras e, mais tarde, da capacidade para identificar e nomear objectos e para reconhecer faces. Estes sintomas levam a um discurso que embora fluente, não tem sentido (demência semântica).

O outro tipo de Degenerescência Lobar Frontotemporal (denominada por afasia progressiva não fluente) caracteriza-se por dificuldades na produção de linguagem, um discurso lento e ainda por diminuição da capacidade para articular as palavras pretendidas, apesar de estarem preservados o conhecimento do significado das palavras e a capacidade de compreensão.

A capacidade para pensar pode ser afectada de várias formas. Frequentemente, assiste-se a uma diminuição da velocidade de processamento da informação, o que se manifesta por uma lentificação do pensamento.

A capacidade para planear, organizar, resolver problemas, tomar decisões e alternar entre diferentes ideias pode estar afectada. Estas alterações têm um impacto grave no funcionamento diário.

A atenção refere-se ao nível de alerta e de vigilidade, à capacidade de reacção ao que acontece à nossa volta e de nos focarmos em objectos (em particular, em vários objectos simultaneamente). Em consequência dos défices de atenção, é fácil a pessoa distrair-se ou perder o fio condutor ao realizar uma determinada acção.

A capacidade de orientação é afectada pela demência. As pessoas revelam geralmente dificuldades em saber em que altura do dia estão, o dia da semana ou do mês, em que lugar estão e como movimentar-se para onde querem ir. A desorientação temporal (por exemplo saber o dia da semana) geralmente precede a desorientação espacial (não reconhecer o ambiente).

As várias formas de défice das funções visuoespaciais podem incluir dificuldades no reconhecimento de objectos (agnosia) ou na percepção de vários objectos simultaneamente (simultanagnosia). Podem ainda surgir dificuldades ao nível da capacidade para estimar distâncias e relações espaciais ou no que diz respeito a acções como apontar e apanhar objectos sob controlo visual (ataxia óptica).

As dificuldades na manipulação de objectos podem incluir problemas na execução de acções simples, tais como utilizar os talheres, um pente ou uma escova de dentes, ou na realização de acções sequenciais mais complexas, como endereçar e pôr um selo num envelope ou vestir roupas. Este tipo de alterações denomina-se por apraxia.

Declínio nas Actividades de Vida Diária

As alterações nas actividades de vida diária distinguem a demência do envelhecimento normal ou do defeito cognitivo ligeiro.
Ambos os exemplos que mostrámos anteriormente revelavam como a demência afecta a vida diária. Consegue identificar algumas semelhanças entre os exemplos apresentados e a sua situação e a da pessoa de quem cuida? Quais as actividades de vida diária envolvidas?

Em primeiro lugar são afectadas as actividades de vida diária complexas, tais como as tarefas profissionais, a gestão do dinheiro, o equilíbrio entre os gastos e os rendimentos, a lida da casa, a preparação de refeições e a utilização de transportes públicos (estas são também conhecidas por actividades instrumentais de vida diária).

As tarefas simples são afectadas em fases posteriores e dizem respeito à alimentação, higiene pessoal, ao vestir e à utilização da casa de banho (por sua vez, estas tarefas são consideradas actividades básicas de vida diária ou actividades de auto-cuidado).

Alterações do Comportamento

A demência pode estar associada a várias alterações do comportamento habitual das pessoas no que diz respeito ao humor, adequação social, iniciativa e motivação e comportamento motor. Esta doença pode afectar também a forma como as pessoas percepcionam e interpretam a realidade.

A apatia é frequente na Doença de Alzheimer, concretizando-se numa diminuição da actividade e do interesse em áreas que eram antes importantes para o doente. A agitação, por sua vez, é evidente quando a pessoa revela nervosismo, inquietude ou irritabilidade mais facilmente do que o habitual ou quando tem reacções emocionais exageradas.

O humor pode mudar rapidamente, passando das lágrimas ao riso, sendo esta  instabilidade denominada labilidade emocional. As pessoas podem também ficar deprimidas. A depressão  pode resultar da reacção ao facto de viver com demência, bem como da disfunção de regiões cerebrais específicas. Por vezes as alterações do comportamento parecem ser uma manifestação de sofrimento ou frustração.

Por vezes, as pessoas com demência podem desenvolver crenças profundas que não são suportadas pela realidade (ideias delirantes) ou podem ouvir, ver ou sentir sensações que não são reais (alucinações). As alucinações são diferentes das ilusões, que são interpretações erradas do que está a acontecer, por exemplo quando uma cortina em movimento é incorrectamente percepcionada como um intruso.

Na degenerescência lobar frontotemporal as alterações do comportamento resultam de disfunção na parte anterior do cérebro. O controlo dos impulsos torna-se mais difícil (denominando-se por desinibição) pelo que os pensamentos e as acções que normalmente são evitados passam a ser mesmo realizados.

Exemplos deste tipo de alterações poderão ser a verbalização de um pensamento como “meu Deus, como estás gorda!”; levar um artigo de uma loja sem pagar; ou tocar em alguém atraente. Estes comportamentos podem criar situações embaraçosas.

Os défices na capacidade para compreender as perspectivas dos outros dão origem a comportamentos mais egoístas e a uma diminuição da empatia pelos outros. As pessoas podem ainda desenvolver rituais inflexíveis (tais como rotinas diárias rígidas) ou repetir as mesmas acções vezes sem conta.

Professor Alexandre de Mendonça

Conclusão

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